Gazeta Mercantil
Começa nesta semana a contagem regressiva para a instalação da nova fábrica de motores da General Motors, em Joinville, a maior e mais industrializada cidade de Santa Catarina. A negociação com o governo catarinense iniciou há apenas dois meses e a previsão é de que a fábrica entre em funcionamento em 2010, conforme antecipou este jornal. A confirmação do município ocorreu no início da tarde de sexta-feira pelo prefeito de Joinville, Marco Tebaldi, que recebeu a notícia, por telefone, do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB).
“A fabricação de motores é um gargalo na nossa produção. No ano passado, produzimos 500 mil unidades no Brasil e ainda faltou produção; por isso a nossa pressa”, disse o vice-presidente corporativo da GM, José Carlos Pinheiro Neto, que esteve em Florianópolis reunido com o governador catarinense. O investimento será de R$ 350 milhões para a produção inicial de 120 mil motores por ano e 50 mil cabeçotes/ano. Os recursos serão próprios e parte poderá ser financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Serão gerados 500 empregos diretos e 1.500 indiretos. Os motores vão para as fábricas da GM em Gravataí (RS) e Rosário, na Argentina. Eles vão equipar os modelos Prisma, Celta e Classic. “Santa Catarina tem uma área portuária excepcional, empresas ligadas à fundição, fundamental para este tipo de projeto, e a excepcional qualidade de mão-de-obra”, diz Pinheiro Neto.
Cabotagem
Os motores e cabeçotes serão transportados, basicamente, por navios de cabotagem. Segundo Pinheiro Neto, este foi um dos fatores que influenciaram na escolha do local, próximo ao Porto de São Francisco do Sul. A região norte de Santa Catarina apresenta ainda proximidade com os portos de Navegantes, Itajaí e de Itapoá, cujo projeto está em execução.
Sem citar nomes, o executivo afirma que, além da Fundição Tupy, outras empresas catarinenses já são fornecedoras da GM. De acordo com a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), 150 companhias produzem autopeças no estado, faturam R$ 1,4 bilhão/ano e respondem por 4% da receita gerada pelo setor no Brasil. “No Rio Grande do Sul, desenvolvemos 485 fornecedores locais ao longo de 10 anos. A intenção é fazer exatamente o mesmo em Santa Catarina”, afirma Pinheiro Neto. Segundo ele, a maior parte do motor será fabricada no estado.
Os blocos e cabeçotes fabricados pela Tupy, de Joinville, são o coração do motor. Representam mais de 50% da produção da empresa e são referência no mundo inteiro. Trata-se de uma peça, complexa, de alto valor agregado, com duas mil dimensões (dois mil pontos onde um item cruza com outro). Os blocos da Tupy são de ferro fundido vermicular, uma liga criada pela empresa, em substituição ao ferro cinzento e ao alumínio, que permite mais resistência e melhor combustão aos motores, diminuindo a emissão de poluentes na atmosfera.
Joinville concentra o principal parque industrial de Santa Catarina e o terceiro da região do Sul do Brasil, com sua principal atenção focada para o setor metalmecânico (59,5%) e setor de plásticos (37%); com reconhecimento internacional por concentrar empresas e marcas de liderança nacional, como: Tupy, Busscar e Schulz.
O governador Luiz Henrique da Silveira disse que um grupo de trabalho misto entre o governo e a GM será constituído para detalhar o processo que vai configurar numa parceria público-privada.
“A GM vai gerar emprego e renda e o governo vai garantir a infra-estrutura e os benefícios fiscais necessários”, afirmou. Silveira disse que o governo vai suprir tudo o que for necessário para garantir o livre acesso das rodovias à fábrica, a livre circulação de veículos, água, luz, gás natural, entre outros. A primeira reunião entre técnicos da GM e o governo para estabelecer uma sintonia fina de detalhes sobre tributação, incentivos fiscais e infra-estrutura será esta semana.
Incentivos fiscais
Os incentivos fiscais oferecidos pelo estado são os conhecidos. O Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Superprodec) e o Pró Emprego. O primeiro trata de postergação e o segundo do deferimento da cobrança de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A lei permite que 75% do imposto sejam postergados por quatro anos.
Esse benefício pode ser usufruído por 200 meses no caso das montadoras. Em Joinville, o secretário de Integração e Desenvolvimento Econômico, Raul Bérgson, afirma que o município vai oferecer o Pró-empresa, programa municipal que posterga o ISS e o IPTU por até 60 meses e em até 80%.
O Superprodec permite que 75% do ICMS sejam postergados por quatro anos. Esse benefício pode ser usufruído por 200 meses no caso das montadoras. O Pró-empresa, programa de Joinville, posterga o ISS e o IPTU por até 60 meses e em até 80%.
Para atender as necessidades energéticas, o governador garantiu que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) enviou uma carta comprometendo-se a fazer uma linha de transmissão entre Curitiba e Joinville, de 80 quilômetros e 230 Kv, que ficará pronta em 2010.
O diretor técnico da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), Eduardo Sitônio, afirma que a Celesc poderia atender hoje a carga instalada da GM, de 6 MW. “É uma fábrica moderna, de baixo consumo e com equipamentos que apresentam bom desempenho e eficiência energética”. Além de Santa Catarina, outro investimento da GM no Brasil previsto para este ano é a instalação de uma Central de Distribuição no porto de Suape (PE).
Joinville é o município mais populoso e industrializado de Santa Catarina. O Produto Interno Bruto per capita é um dos maiores do País, de US$ 8.456/ano. Fica próxima dos portos de São Francisco do Sul, Itajaí e de Itapoá (este, em construção).
Joinville concentra o principal parque industrial de Santa Catarina e o terceiro da região do Sul do Brasil, com sua principal atenção focada para o setor metalmecânico (59,5%) e de plásticos (37%).
Fonte: Gazeta Mercantil/Juliana Wilke. www.gazetamercantil.com.br
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