Publicado por: Julio Bessa | 14, Abril, 2008

Carros produzidos no México e na Argentina ganham espaço no Brasil

O Estado de S.Paulo

Hoje eles são cerca de 30, até o fim do ano serão mais de 35 e, em 2009, ultrapassarão os 40. Veículos feitos na Argentina e no México, países que têm acordos bilaterais com o Brasil, estão conquistando espaço no País. E a invasão tende a aumentar, segundo especialistas.

Dois fatores fortalecem esse fenômeno: queda na cotação do dólar e aumento da demanda interna. Para suprir o mercado, a tendência é importar mais. “Os países latino-americanos têm linhas de veículos complementares e as montadoras vêem o Mercosul como uma região integrada”, diz Jackson Schneider, presidente da Anfavea, a associação das fabricantes.

“México e Argentina complementam o pátio brasileiro, o que nos permite ter fábricas especializadas em determinados produtos e maior variedade para oferecer em toda a América Latina”, diz Antonio Baltar, gerente de Marketing da Ford.

A montadora importa o Fusion, mexicano mais vendido do País. Quando o sedã chegou aqui, em 2006, a participação dos veículos feitos na Argentina e no México no total de estrangeiros era de 40%. Atualmente, passa de 76%.

De acordo com informações da Anfavea, a expectativa é que as vendas de importados cresçam 40% até o fim de 2008, ante 2007. Esse porcentual é bem maior que os 14% estimados para os veículos nacionais.

Produção em conta

“É mais barato fazer carro no México que no Brasil”, afirma Fabrício Biondo, gerente de Planejamento de Marketing da Volkswagen, marca que oferece o maior número de modelos livres de impostos de importação no País.

Mas, segundo especialistas, essa é uma particularidade da Volks, em razão de acordos firmados com fornecedores mexicanos. Para as demais, aumentar a variedade de veículos no Brasil, a preços competitivos, também contribui para a chegada de mais modelos feitos na Argentina e no México.

Invasão

Somente nos últimos 30 dias foram lançados os mexicanos VW Jetta Variant e a nova geração do Honda CR-V. E vem mais por aí. Ainda este ano chegarão da Argentina a versão de quatro portas do hatch Citroën C4 e a nova geração do Ford Focus. Do México desembarcam o Nissan Tiida flexível, Chevrolet Captiva e Dodge Journey.

Para 2009 estão previstas as picapes médias da Volks e da Fiat e a nova Ford Ranger, todas argentinas. E a Honda fará um sedã compacto em sua fábrica a ser inaugurada no país vizinho.

“Todos os modelos são complementares ou vêm substituir veículos ultrapassados”, afirma Arnaldo Brazil, consultor da Prime Action. Paulo Roberto Garbossa, da ADK, cita o Captiva como exemplo. “Compensa mais importar um carro que já está pronto do que investir na reestilização de um ‘velho’ como a Blazer.”

Médios são maioria entre argentinos e mexicanos

Mesmo com a enxurrada de estrangeiros, a hipótese de as fabricantes instaladas aqui trazerem carros menores e mais acessíveis parece longe de se tornar realidade. Isso porque as plataformas que o Brasil não dispõe e que estão instaladas na Argentina e México são de modelos de segmentos superiores.

“Os veículos com menor valor agregado roubariam espaço de automóveis feitos aqui. Assim, a montadora ´canibalizaria´ seu portfólio”, diz Arnaldo Brazil. Para ele, como o Brasil não tem tradição na produção de modelos médios e grandes, torna-se interessante optar pelos estrangeiros.

Paulo Garbossa acredita que a chegada de importados mais “populares” engessaria a indústria nacional. “Isso transformaria o Brasil num grande importador de veículos.”

Concorrência

Atualmente, o segmento de sedãs médios é dominado por argentinos e mexicanos. Nissan Sentra, Peugeot 307 Sedan, Jetta e Bora, da Volks, Citroën C4 Pallas e os Ford Focus Sedan e Fusion brigam com três nacionais: Honda Civic, Toyota Corolla e Chevrolet Vectra.

Entre os hatches médios Nissan Tiida, 307 e Focus enfrentam os brasileiros VW Golf, Fiat Stilo e Astra e Vectra GT, da Chevrolet.

As picapes médias e grandes estrangeiras também se destacam. São duas argentinas (Toyota Hilux e Ford Ranger) e a mexicana Dodge Ram, ante quatro nacionais (Chevrolet S10, Nissan Frontier, Ford F-250 e Mitsubishi L200). E a partir de 2009 o time de utilitários importados crescerá.

“A concorrência é saudável, pois cria um cliente mais exigente”, afirma Brazil. Antonio Baltar diz que a Ford apostou no Fusion por ele ser um carro que garante status, mas tem preço (R$ 83.620) semelhante ao de alguns nacionais menores.

Fonte: O Estado de S.Paulo/Ana Morano e Michel Escanhola | www.estado.com.br


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