Posted by: jbtecidos | 9, Maio, 2008

Caoa investe R$ 300 milhões para produzir o Tucson no Brasil

O Estado de S. Paulo

Após meses de negociação, o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono do grupo Caoa, obteve autorização da coreana Hyundai Motors para produzir, no Brasil, o utilitário esportivo Tucson, hoje importado e um dos mais vendidos no segmento. Para montar o veículo na fábrica de Goiás, batizada de Hyundai/Caoa, ele vai investir R$ 300 milhões.

A produção do Tucson nacional começará no segundo semestre e as vendas no início de 2009. O empresário também conseguiu aprovação, para o próximo ano, de um terceiro veículo (um sedã ou outro utilitário), que exigirá novo aporte de R$ 300 milhões, diz ele. Desde abril do ano passado, a fábrica produz o minicaminhão HR.

O protocolo de homologação do acordo será assinado hoje, em Anápolis (GO), em cerimônia com o vice-presidente da Hyundai Motor Company, Seok San Jang, o diretor-executivo para a América do Sul, América Central e Caribe, Chang Hwan Han e o governador Alcides Rodrigues Filho.

“Incluindo o valor para a instalação da fábrica, o investimento total chegará a US$ 1,2 bilhão para a produção dos três veículos, tudo com recursos próprios”, informa Andrade.

O grupo Caoa, formado ainda por revendas Ford e Subaru, faturou R$ 3 bilhões em 2007, com projeção de chegar a R$ 5 bilhões este ano.

Há alguns meses, o grupo vinha anunciando, em suas propagandas, que o Tucson seria brasileiro. Havia, porém dúvidas no mercado porque a Hyundai tem intenção de instalar fábrica no Brasil e poderia assumir a tarefa. O Caoa tem o direito de usar a marca Hyundai e paga royalties à montadora, além de adquirir tecnologia e componentes para a fabricação dos veículos.

Rio

Executivos da Hyundai informaram na Coréia a disposição de investir US$ 1 bilhão em uma fábrica no Brasil. O grupo vem mantendo contatos com fabricantes de autopeças locais e recebeu proposta de terrenos e incentivos do governo do Rio.

A Hyundai, porém, está envolvida em ação de cobrança, pelo governo federal, de dívida de R$ 1,6 bilhão deixada pela Asia Motors, que não construiu uma fábrica na Bahia nos anos 90, depois de importar veículos com isenção fiscal. A Asia foi adquirida pela Kia Motors, mais tarde integrada à Hyundai. O governo brasileiro diz que não autorizará a fábrica enquanto a dívida, cobrada também de ex-sócios da Asia Motors do Brasil estiver pendente.

Andrade informa que, no acordo a ser assinado hoje, a Hyundai estende a ele por mais dez anos o direito de importar carros da marca com exclusividade. “Mesmo que a empresa decida por uma fábrica própria, isso não será alterado.”

A fábrica de Anápolis emprega 600 funcionários e outros 600 serão contratados. Até agora, foram produzidos 6 mil HR. Quando os três modelos estiverem em plena produção, Andrade diz que a capacidade anual será de 130 mil veículos, com geração de 6 mil empregos.

Segundo ele, o HR tem 40% de nacionalização, porcentual que será seguido pelo Tucson. Ele diz que a nacionalização não vai reduzir o preço ao consumidor. “Desde o início da importação adotamos estratégia de preço muito competitivo.”

Os modelos importados da Coréia custam entre R$ 79,9 mil e R$ 125 mil. Nos primeiros quatro meses do ano foram vendidas 6.625 unidades, quase três vezes mais que em igual período de 2007. Na classificação da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o Tucson só fica atrás do Ford EcoSport, que vendeu 15.469 unidades. O segmento como um todo cresceu 68,6% este ano, com venda de 43.483 veículos, a maioria importados.

A guerra de mercado nesse segmento levou a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos (Abeiva) a solicitar, na semana passada, explicações à Fenabrave sobre episódio ocorrido em março, quando foram licenciados em Anápolis 1.258 veículos, dos quais 757 da marca Hyundai. Nos meses anteriores, assim com em abril, o total de emplacamentos na cidade variou de 390 a 580 veículos, sendo no máximo 55 da Hyundai. A Fenabrave ainda não se posicionou. O Estado constatou que a maioria dos modelos foi licenciada em nome da Caoa e revendida emplacada.

Investimento e dívida

Quem é a Caoa: Grupo do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade. Tem acordo com a Hyundai, da Coréia, para produzir veículos da marca em Goiás, em uma fábrica com capital 100% nacional. Paga royalties pelo uso de tecnologia e do nome da empresa

Quem é a Hyundai: Maior fabricante de veículos da Coréia. Tem planos de construir uma fábrica própria no Brasil. Pelo acordo feito com a Caoa, ambas fariam produtos complementares. O governo do Rio já ofereceu um terreno para a montadora

Entrave à nova fábrica: A Hyundai é dona da Kia, que, por sua vez, era dona da Asia Motors. Nos anos 90, a Asia prometeu construir uma fábrica na Bahia. Assim, conseguiu isenção de impostos para importar. O grupo trouxe 70 mil veículos, mas a fábrica não saiu.

Processo: O governo brasileiro cobra dívida de cerca de R$ 1,6 bilhão deixada pela Asia. Com a falência da Asia, a responsabilidade recaiu sobre a Kia, hoje nas mãos da Hyundai. O governo diz que não autoriza a fábrica própria da Hyundai sem o pagamento.

Fonte: O Estado de S. Paulo/Cleide Silva | www.estadao.com.br

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