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A Detroit Nissan Motor planeja vender um modelo de carro elétrico nos Estados Unidos e Japão até 2010, aumentando as participações na corrida para desenvolver veículos amigos do meio ambiente. O compromisso – anunciado em maio pelo principal executivo da Nissan, Carlos Ghosn – será o primeiro de uma importante montadora para lançar um veículo com emissões zero de gases poluentes para o mercado norte-americano. Nissan também espera vender uma linha de veículos elétricos globalmente até 2012.
Ghosn informou que a Nissan decidiu acelerar o desenvolvimento de veículos movidos a bateria, devido aos altos preços da gasolina e temores dos ambientalistas, não apenas por causa da necessidade de corresponder aos parâmetros mais severos sobre economia de combustível. “O que vemos é que as mudanças nos mercados estão mais fortes do que pedem os órgãos reguladores”, acrescentou.
Ghosn disse que a Nissan programou um vasto leque de veículos elétricos, a começar com carros compactos, e adicionou que “não se trata apenas de um carro para cidades pequenas ou de uma picape pequena. Também pode ser um pequeno veículo comercial”.
O executivo não demonstrou sempre entusiasmo sobre a tecnologia alternativa de combustíveis. Em um discurso de 2005 para a National Automobile Dealers Association, o executivo denominou os híbridos a gás e a eletricidade de “produtos de nicho” úteis apenas para corresponder aos parâmetros rígidos de economia de combustível e de emissões de gases em estados como da Califórnia. “Não faz muito tempo, Carlos Ghosn era muito céptico a respeito do papel dos veículos elétricos”, disse John O`Dell, editor sênior do site automobilístico “GreenCarAdvisor.com”. “Obviamente, algo abriu seus olhos.”
Outras montadoras como Mitsubishi Motors e Fuji Heavy Industries testam versões de carros elétricos, e a General Motors e Toyota trabalham em veículos movidos a bateria com pequenos motores a gasolina para recarga. A GM pretende começar a produzir o Chevrolet Volt em 2010, e a Toyota deseja oferecer um híbrido similar, denominado “plug-in”, por volta do mesmo ano.
No entanto, a Nissan, que há uma década estava à beira de um colapso, é a primeira montadora a anunciar que venderá para os mercados de consumo em massa, em todo o mundo, carros totalmente elétricos. Quando se fala em emissões zero de gases poluentes se pensa nos carros com cano de descarga e não na eletricidade usada na produção automobilística. Mesmo assim O`Dell disse que a “Nissan é a primeira a dizer que teremos veículos totalmente elétricos para um certo mercado até uma certa época.”
Ghosn se recusou a revelar detalhes sobre os produtos elétricos, e disse que as quantidades iniciais serão pequenas. “Estamos falando de centenas de veículos no início”, explicou. Porém, enfatizou que a empresa está determinada a alcançar “a liderança no setor de veículos com zero de emissões de gases poluentes.”
Com clientes nos mercados emergentes como China e Índia clamando por carros, o setor tem a responsabilidade de investir nos veículos mais limpos que puder fabricar, disse Ghosn. “A questão é como participar do crescimento dos mercados emergentes, trabalhando de um modo que não seja incompatível com o fato de que muitas pessoas são sensíveis aos níveis de emissões de gases e à preservação do planeta.”
No início do ano, Nissan e sua parceira da França, Renault, assinaram um acordo com o Project Better Place da Califórnia para produzir carros elétricos para comercialização em Israel e Dinamarca.
Renault irá providenciar os carros e Nissan fornecerá as baterias de litio-ion (li-ion). Ghosn, que também é o principal executivo da Renault, informou que o governo de Israel irá encorajar as vendas de carros elétricos por meio da redução drástica de taxas para níveis abaixo daquelas dos veículos movidos a gasolina. “Jamais faríamos isso se o governo de Israel não encorajasse o projeto”, explicou. “Quem oferecer maiores incentivos conseguirá a tecnologia primeiro.”
A meta de vender veículos elétricos faz parte de um novo plano de cinco anos, chamado Nissan GT 2012. Esse plano contém objetivos que figuram entre os mais ambiciosos já estabelecidos por Ghosn desde que assumiu as rédeas da Nissan em 1999. Em planos anteriores, Ghosn estabeleceu objetivos rígidos para redução de custos, lucro e retorno sobre os investimentos, a fim de recuperar a empresa e seu capital debilitado. Mas no momento a Nissan está mais saudável, e o CEO espera divulgar um lucro no mais recente ano fiscal, de US$ 4,1 bilhões.
Segundo disse Ghosn, os próximos cinco anos irão se focalizar no crescimento e na credibilidade. “Confiança tem a ver com sustentabilidade”, explicou. “Tem a ver com retorno e lealdade. Em nosso setor, as companhias com melhor desempenho são as que estabeleceram um alto nível de confiabilidade com os diversos acionistas”, acrescentou.
As metas também requerem que a Nissan corresponda aos parâmetros de excelência do setor em qualidade de veículos, e que aumente sua receita em aproximadamente 5% a cada ano.
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