Publicado por: Julio Bessa | 21, Julho, 2008

Aos 100 anos, General Motors faz rir e chorar em Flint

* Gazeta Mercantil

Uma festa de aniversário de 100 anos, se pode pensar, é motivo para comemoração especial. Mas aqui em Flint, o homenageado é uma empresa que tanto construiu a cidade quanto a deixou entrar em colapso. E assim, como gerações de uma família que reconhecem um patriarca controverso, as pessoas aqui estão tomando nota do centenário da fundação da General Motors com uma mistura complicada de respeito e raiva, orgulho e dor.

“Ainda é bom que eles façam algo por Flint”, disse Fred Morse, de 34 anos, um operário de construção autônomo cujo pai trabalhou para a GM por 36 anos. “Mas as pessoas necessitam de empregos mais do que necessitam de entretenimento e cachorros quentes de graça”, disse Morse.

Nos anos 70, a General Motors empregava perto de 80 mil pessoas na área de Flint, e parece que todos aqui têm ligação com a empresa de uma forma ou de outra. Aqueles que não trabalharam na GM podem recitar os nomes dos parentes que trabalharam. Mas quando a GM eliminou empregos e transferiu outros para o exterior, diminuiu o número de pessoas empregadas em Flint. Hoje, perto de 8 mil pessoas residentes na área trabalham para a empresa.

Muitas pessoas aqui aplaudem a comemoração de 100 anos, marcada para coincidir com uma reunião anual da Buick Club of America, e com visitas ao prédio onde a empresa teve início e uma exposição de veículos GM de quase cada ano da existência da empresa. Eles dizem que a General Motors reagiu como qualquer empresa faria às forças econômicas mais amplas.

Num piquenique de domingo que foi chamado de “reunião da família GM”, muitas pessoas queriam prestar homenagem à empresa por todos os empregos que criou em Flint, por todas as pensões que ainda paga e por seu legado de preciosas instituições culturais.

“É preciso lembrar da herança que recebemos da General Motors”, disse Roger Pruett, de 53 anos, que teve seu contrato de trabalho rescindido em 2006 depois de passar 25 anos numa variedade de funções.

Mas outros culpam a GM pelo declínio de Flint e questionam se há motivos para comemoração. Na terça-feira passada, na metade das festividades que se estendem por uma semana, a empresa anunciou planos para outra rodada de demissões – em empregos assalariados, no seguro-saúde para os aposentados e na produção de caminhões. Uma das fábricas remanescentes da GM produz picapes e grandes caminhões comerciais.

A taxa de desemprego em Flint e em seus arredores é de 11,1%, a mais alta entre as áreas metropolitanas de Michigan, o estado com a mais alta taxa de desemprego do país, conforme as mais recentes estimativas federais.

A área de Flint também registrou a maior alta da taxa de desemprego do país em maio de 2008 comparado com um ano antes: 3.4 pontos percentuais, conforme dados fornecidos pelo Departamento de Estatísticas de Trabalho. No centro comercial, perto das lojas cobertas com placas e dos andaimes que anunciam redesenvolvimento, os cartazes nos postes proclamam o centenário da GM e Flint como sua cidade natal. No topo dos arcos que emolduram a rua principal, as bandeiras da empresa e dos Estados Unidos ondulam uma ao lado da outra.

Fonte: Gazeta Mercantil | www.gazetamercantil.com.br


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