Publicado por: Julio Bessa | 19, Novembro, 2008

Vendas de carros e comerciais leves caíram 20% em novembro

Gazeta Mercantil

A queda de 20% nas vendas de automóveis e veículos comerciais até ontem (17 dias) – de 112.685 unidades em outubro de 2007 para 89.921 unidades neste mês – deverá provocar uma redução nos preços dos carros zero. “Com essa parada do setor automotivo um carro que custava R$ 30 mil não vale hoje mais que R$ 24 mil e a tendência é que o preço caia ainda mais”, observou uma fonte do mercado.

Essa mesma fonte comentou que o mercado não vai voltar ao volume que estava até setembro, pois já era certo que em algum momento haveria uma curva descendente de vendas. “A indústria estava vendendo crédito e com ele vinha o automóvel. Com o corte do crédito por parte dos bancos as vendas pararam. Agora o consumidor está assustado, com medo de perder o emprego. Neste mês e em dezembro teremos muita campanha para vender carros, mas não arriscaria dizer como será o varejo em 2009″.

Para Wilson Rocha, diretor de vendas e engenharia da TRW Automotive, subsidiária americana que fornece vários componentes para a indústria automobilística, a principal preocupação das montadoras atualmente é conseguir reduzir o estoque de 300 mil carros de outubro para 200 mil até o final de dezembro.

“Ainda não temos o resultado do impacto dos feirões do último final de semana, porque os carros vendidos ainda não foram emplacados pelos seus proprietários”, disse Rocha.

Segundo uma fonte do mercado, para a venda de carros novos o crédito liberado pelo governo já está começando a chegar aos bancos. “Já tive informações que dois bancos já estão falando em concorrência de taxas de juros. Mas para a venda de carros usados o crédito ainda não chegou e os revendedores cortaram as compras de seminovos. Quem tentou vender um carro seminovo teve uma cotação muito abaixo do mercado”.

Preocupação

Para toda a cadeia de produção de componentes o momento é de preocupação. Muitas empresas contatadas ontem não quiseram comentar sobre a crise mundial. Além de rever planos de produção por causa das férias coletivas das montadoras, algumas fabricantes de autopeças estão tentando compensar o corte das encomendas da indústria automobilística com a venda dos volumes perdidos no Brasil para alguns clientes que ainda têm no exterior.

A mesma sorte não teve a TRW do Brasil, que demitiu 50 empregados na sua fábrica de Santo André, no ABC paulista, por causa de perda nas exportações de componentes para os Estados Unidos. A empresa tinha um contrato com a Ford americana para o fornecimento de freios para o Mustang e a montadora suspendeu a produção por dois meses.

“A demissão foi inevitável e, agora, estamos acompanhando o comportamento do mercado para saber como será o ano de 2009. Alguns grupos já estão em férias coletivas e no final do ano daremos férias para todos os empregados”, disse o diretor da TRW.

Fonte: Gazeta Mercantil/Sonia Moraes | www.gazetamercantil.com.br


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